Guepardo (Acinonyx jubatus)


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Bestiário


Nomes alternativos: guepardo ou chita (português), cita (hindi), cheetah (inglês); guépard (francês), Gepard (alemão, russo), jachtluipaard (holandês), guepardo, onza ou leopardo cazador (espanhol), çita (turco), duma ou msongo (swahili), shita (árabe), liebao (mandarim), citrakaya (sânscrito), kynailouros ou gatopardos (grego).

Comprimento médio: machos, 1,25 m (mais 75 cm de cauda), fêmeas, 1,15 m (mais 70 cm de cauda). Altura média: 75 cm.

Massa média: machos, 52 kg (-3), fêmeas 37 kg (-4).

Hábitat: na Antiguidade, savanas, pradarias e semidesertos de toda a África, Oriente Médio, Irã, Afeganistão, Ásia Central e Índia (e, antes do fim da era glacial, também na Ásia Oriental). Hoje está extinto no norte da África e na Ásia, salvo no deserto de Dasht-e-Kavir, Irã.

Inteligência Abstrata: -8; Inteligência Concreta: -4; Resistência: +1; Proteção: 0; Tamanho: 0; Saúde: +2; Mobilidade: +3½; Sentidos: +4 (Olfato: +7; Audição: +4; Visão: +1, com visão noturna superior; Dificuldade de treinamento: +2.

Habilidades: Força: macho +5, fêmea +4; Combate: +3; Esquiva: +4; Salto: +10; Natação: +3; Furtividade: +3; Corrida: +25 (até 110 km/h); Preparo Físico: +4; Caça: +3; Escalada: +3; Queda: +3.

Manobras de combate: Morder (2 / 2½); Patada (1 / 1); Bote


Características

 

O guepardo é um felino atípico, ao qual faltam alguns traços comuns aos demais membros da família, como as garras inteiramente retráteis (Acinonyx significa “garra imóvel” em grego e jubatus é uma referência à pequena “juba” dos filhotes) e caça por meio da velocidade, sem usar táticas de matilha ou emboscada furtiva. É o mais rápido dos animais terrestres e pode atingir 110 km/h. As garras são usadas na corrida para facilitar a aceleração e manobra. Também é um animal muito resistente à seca: pode sobreviver apenas com a água contida no corpo das presas ou comendo melões tsama.

São caçadores diurnos e suas presas preferidas são filhotes de gnu e zebras (sempre animais de menos de 40 kg), gazelas, impalas e lebres. A presa é seguida silenciosamente por dez a trinta metros e então caçada a toda velocidade por até 400 metros. A caça geralmente dura menos de um minuto e, se o guepardo falha em abater a presa rapidamente, normalmente prefere desistir a desperdiçar energia. Quando alcança a presa, derruba-a com uma patada (as garras não são suficientemente afiadas para causar dano significativo) e em seguida a estrangula com uma mordida no pescoço. Em média, 50% das caçadas são bem sucedidas. Metade das presas abatidas, porém, costumam ser perdidas para predadores mais fortes – leões, hienas e leopardos.

Ao contrário do que ocorre com outros felinos, os guepardos não marcam territórios. As fêmeas evitam-se umas às outras. Os machos às vezes formam grupos de dois ou três membros, quando provêm da mesma ninhada (até 10 a 14 quando não há carnívoros maiores na região). Depois de uma gestação de 90 a 95 dias, as fêmeas têm três a cinco filhotes de 150 g a 300 g, que se tornam independentes depois de 13 a 20 meses. Sua longevidade é de mais de vinte anos.


Distribuição, subespécies e espécies afins

Guepardo “real”, acompanhado de guepardos comuns

Estima-se que existam hoje 12.400 guepardos na África (principalmente Namíbia, Quênia e Tanzânia) e 100 a 200 no Irã. Provavelmente a espécie evoluiu na África e migrou depois para a Ásia.

A variabilidade genética dos guepardos é anormalmente baixa e a maioria de seus espermatozóides mostra anormalidades, o que sugere que, durante a última era glacial (antes de 9.000 a.C.), a espécie esteve à beira da extinção e ficou restrita à procriação consangüínea. Costumam ser distinguidas duas subespécies: Acinonyx jubatus jubatus, da África e Acinonyx jubatus venaticus, da Ásia, mas não há diferenças significativas entre elas.

Em 1927 um zoólogo julgou ter descoberto uma nova espécie ou subespécie, chamada guepardo real (king cheetah) ou Acinonyx rex, que em vez das pequenas manchas circulares tem manchas grandes e alongadas, formando listras negras. Era chamado pelos nativos do Zimbábue de nsui-fisi (leopardo-hiena). Mais tarde, verificou-se que se trata de uma rara variação genética individual (como o pelo negro das onças e panteras negras), recessiva e que guepardos “reais” e comuns podem nascer na mesma ninhada. Acredita-se que há cerca de trinta guepardos “reais”.

Várias espécies semelhantes estão hoje extintas, incluindo Acinonyx pardinensis, maior que os guepardos modernos, que viveu durante o Plioceno (13 milhões – 2 milhões a.C.) na Europa Índia e China e presumivelmente caçava cavalos, veados e antílopes desaparecidos como o Procamptoceros. O Acinonyx intermedius, encontrado nas mesmas regiões durante o Pleistoceno (2 milhões – 9 mil a.C.) e registrado em pinturas de cavernas de há 30 mil anos, era mais similar ao guepardo moderno.

Suposta onza, abatida no México em 1986

Também no Pleistoceno, viveram espécies norte-americanas similar ao guepardo, mas classificadas em outro gênero: Miracinonyx inexpectatus (3.000.000 a.C. – 200.000 a.C.), Miracinonyx studeri, e Miracinonyx trumani (até 10.000 a.C.) A elevada velocidade dos antilocapras da América do Norte, que nenhum predador moderno em seu hábitat pode competir, evoluiu como defesa ante esses predadores hoje extintos. Esses felinos tinham garras inteiramente retráteis e, no caso do M. inexpectatus, as proporções corporais eram intermediárias entre as dos verdadeiros guepardos e os pumas, o que sugere que, corriam algo menos, mas eram bons escaladores e que podem ser os ancestrais comuns dos pumas e guepardos.

Houve alguma especulação a respeito da sobrevivência do Miracinonyx trumani em períodos mais recentes. Os espanhóis que colonizaram o México deram o nome de onza a um animal que desconheciam, um grande felino do México descrito como semelhante à onça-parda, puma ou suçuarana (também comum no México), mas mais feroz e agressivo.

Corresponderia ao animal chamado pelos astecas de cuitlamiztli, felino diferente tanto da ocelotl ou onça-pintada (Panthera onca) quanto da miztli ou onça parda (Felis concolor). O nome, supostamente, vem de cuitlachtli (provavelmente “urso”, símbolo de coragem para os astecas, mas geralmente traduzido pelos espanhóis como “lobo”) e miztli, puma.

O animal foi citado muitas vezes até o século XVIII. Depois, aparentemente, desapareceu até que, em 1986, uma suposta onza foi abatida no México. Foi fotografada e examinada por cientistas: parecia-se com uma onça-parda, mas mais esguia. Criptozoologistas especularam que se trataria de uma espécie aparentada à onça-parda, mas diferente – o mais ousado, Helmut Hemmer, afirmou que se tratava de uma sobrevivência do supostamente extinto Miracinonyx trumani. Entretanto, análises genéticas não mostraram diferença significativa em relação ao puma da América do Norte, o que se tratava apenas de um espécime peculiar do Felis concolor.

 

Acinonyx pardinensis, comparado ao guepardo moderno

Miracinonyx inexpectatus

Miracinonyx trumani

 

Em termos de jogo, a variação mais importante é a de tamanho, que tende a variar de acordo com o tamanho da caça disponível:

Acinonyx pardinensis: Comprimento médio: macho: 1,45 m (mais 90 cm de cauda), fêmea: 1,35 m (mais 85 cm de cauda). Altura média: 1,05 m. Massa média: macho: 78 kg (-1), fêmea: 60 kg (-2). Força: macho +6, fêmea +5; Mobilidade: +3; Esquiva: +4

Acinonyx intermedius: Comprimento médio: macho: 1,35 m (mais 80 cm de cauda), fêmea: 1,25 m (mais 75 cm de cauda). Altura média: 0,90 m. Massa média: macho: 60 kg (-2), fêmea: 45 kg (-3). Força: macho +5½, fêmea +4½; Mobilidade: +3½; Esquiva: +4.

Miracinonyx inexpectatus: Comprimento médio: macho: 1,35 m (mais 75 cm de cauda). Altura média: 0,90 m. Massa média: macho: 60 kg (-2), fêmea: 45 kg (-3½). Força: macho +5½, fêmea +4½; Mobilidade: +2½; Corrida (curta): +22 (até 80 km/h); Esquiva: +4; Escalada: +5.

Miracinonyx trumani: Comprimento médio: macho: 1,25 m (mais 75 cm de cauda). Altura média: 0,75 m. Massa média: macho: 50 kg (-3), fêmea 40 kg (-4). Força: macho +5, fêmea +4; Mobilidade: +3½; Corrida (curta): +10/+30 (até 110 km/h); Esquiva: +4.


Folclore e mitos

Os guepardos são menos agressivos que outros grandes felinos e facilmente domesticáveis. No passado freqüentemente foram usados pelos antigos sumérios, babilônios, indianos, iranianos e egípcios para caçar antílopes, como se fossem galgos. Ao contrário da maioria dos animais, eram capturados para essa finalidade e treinados depois de adultos e quase nunca procriam em cativeiro. O imperador Akbar, da Índia, chegou a manter mil deles.

É provável que a panthera ou pardus conhecida dos antigos gregos e romanos fosse na verdade o guepardo, que ao tomarem conhecimento do leopardo o tiveram erradamente como um cruzamento entre guepardo e leão, por ser de tamanho e características intermediárias entre os dois felinos. O próprio nome "leopardo" sugere um cruzamento de leo, leão, com um animal chamado pardus.

No século XVIII, o naturalista Buffon chamava o animal que hoje conhecemos como guepardo de "once" ou lonza. Hoje, esse nome é dado ao leopardo-das-neves (Panthera uncia ou Uncia uncia).

Na Idade Média, uncia ou luncia era o suposto híbrido de leopardo e leão, citado por Dante, no início da Divina Comédia, como símbolo de incontinência sexual e usado na heráldica por guerreiros famosos por algum estratagema. Era representada como um leão sem juba ou como um leopardo negro, às vezes, com manchas amarelas (ou seja, um leopardo "em negativo").


O Brasil dos outros 500

No Brasil dos outros 500, os guepardos conservam sua distribuição original, da Índia à África e o grande Acinonyx pardinensis ainda existe como um animal raro da Ásia Central. O Miracinonyx trumani pode ser encontrado no norte do Império Méxica, com o nome de cuitlamiztli.


Atlântida

No universo de Atlântida, os guepardos e guepardos gigantes são encontrados em campos abertos dos principais continentes, mas não na ilha de Poseidônis.


Solidariedade Galáctica

No Universo da Solidariedade Galáctica, os guepardos continuam a existir com a mesma distribuição do Brasil dos outros 500.